No
início do sec. XX, a prática desportiva era quase totalmente
desconhecida no Brasil. Os raros esportistas limitavam-se a membros das
comunidades de emigrantes alemães e italianos, no Rio Grande do Sul e em
Sao Paulo. Foi só com eles que foi introduzida, entre nós, a idéia de
competição esportiva entre dois homens ou entre equipes, principalmente
em modalidades como natação e canoagem.
Além
dessa falta de tradição esportiva, outra característica desfavorecia a
introdução do boxe no Brasil: no final do sec. XIX e início do XX, lutar
era sempre associado a coisa de capoeiristas e, então, à marginalidade.
Esse preconceito era especialmente forte entre os membros da elite
dirigente do país.
As
primeiras exibições de boxe em solo brasileiro ocorreram naquela época e
só reforçaram esse preconceito: foram feitas por marinheiros europeus,
que tinham aportado em Santos e no Rio de Janeiro, e naquela época os
marinheiros eram recrutados das classes mais humildes.
Em 1913: a primeira lição
Em
1913, travou-se a mais antiga luta de boxe em território brasileiro que
ficou documentada. Tratava-se apenas de uma luta de exibição - ou de
desafio, não se tem certeza pois os testemunhos da época divergem nesse
detalhe - em São Paulo, entre um pequeno ex-boxeador profissional que
fazia parte de uma companhia de ópera francesa e o atleta Luis Sucupira,
conhecido como o Apolo Brasileiro em razão de seu físico avantajado.
Embora
surrado, o nosso Apolo reconheceu que a técnica pode superar a força e
tornou-se um grande entusiasta do boxe e seu primeiro grande divulgador.
Dado seu prestígio, era médico e filho de conceituada família, seu
apoio em muito contribuiu para atenuar o preconceito que já mencionamos.
O boxe é divulgado e legalizado no Brasil
A
propaganda de Sucupira entusiasmou alguns jovens que eram membros da
tradicional Societá dei Canotiere Esperia, de São Paulo, os quais
tentaram incluir o boxe entre as atividades dessa associação; esse
esforço durou entre 1914 e 1915, e parece não ter frutificado.
A
real divulgação iniciou apenas em 1919, com Goes Neto, um marinheiro
carioca que havia feito várias viagens à Europa, onde havia aprendido a
boxear. Naquele ano de 1919, Goes Neto retornara ao Brasil e resolveu
fazer várias exibições no Rio de Janeiro. Com as mesmas, um sobrinho do
Presidente da República, Rodrigues Alves, se apaixonou pela nobre arte. O
apoio de Rodrigues Alves facilitou a difusão do boxe: começaram a
surgir academias e logo esse esporte ganhou a áurea da "legalidade", de
esporte regulamentado, com a criação das "comissões municipais de boxe"
em São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. Isso tudo, entre 1920 e 1921.
Os primeiros treinadores competentes: início da década dos 20's
Até
1923, os treinadores eram improvisados. A situação só começou a
melhorar quando Batista Bertagnolli estabeleceu-se, em 1923, como
organizador de lutas no Clube Espéria, de São Paulo. Bertagnolli, que
havia aprendido boxe na Europa, muito bem soube usar seus conhecimentos
fazendo um controle de qualidade nas lutas realizadas todos os domingos
naquele importante clube da Ponte Preta. O reconhecimento do público foi
imediato, passando a lotar as dependências do Espéria.
Contudo,
a primeira pessoa que hoje seria considerada um treinador foi Celestino
Caversazio. A dívida do boxe brasileiro para com Carvesazio é imensa e,
se tivermos que apontar sua principal contribuição, diríamos que foi
ser professor dos primeiros treinadores importantes do Brasil: os irmãos
Jofre, Atílio Lofredo, Chico Sangiovani, etc.
Ainda
em 1923, no Rio de Janeiro, foi criada a primeira academia de boxe no
Brasil: era o Brasil Boxing Club que muito difundiu o boxe entre os
cariocas.
Em 1924: a tragédia Ditão e consequências
Entre
1908 e 1915, o boxeador negro Jack Johnson deteve o cinturão de campeão
mundial dos pesados e muito humilhou os brancos que o desafiaram. Uma
consequência disso foi os dirigentes americanos proibirem os cinemas de
passarem fitas ou noticiários com lutas de boxe. Em 1915, Jess Wilard
derrotou Johnson e assim passou o cinturão para a raça branca. A partir
daí e, principalmente, a partir de 1919, quando Jack Dempsey - outro
branco - derrotou Wilard e passou a fazer defesas de título com públicos
de dezenas de milhares de pagantes, os filmes de boxe foram liberados
novamente.
Logo
esses filmes chegaram nos cinemas brasileiros e despertaram em nossos
jovens e empresários do boxe uma imensa ganância. Todos ficaram sonhando
com o fácil enriquecimento através do boxe. Jovens que nunca haviam
feito nenhuma luta, saiam do interior do país e iam para São Paulo ou
Rio de Janeiro com vistas a se tornarem profissionais do boxe.
Foi
então que, no final do ano de 1922, Benedito dos Santos "Ditão" iniciou
a treinar boxe numa academia de São Paulo. Ditão era um negro de porte
gigantesco, enorme aptidão para o boxe e um direto irresistível. Em um
par de meses, já no início de 1923, estreiava como profissional e, sem
nenhuma dificuldade, derrotou seus três primeiros adversários, todos no
primeiro round. Se somarmos o tempo total de luta desses três combates,
não chegaremos a três minutos. Era essa a experiência profissional de
Ditão.
Como
depois relatou o técnico Atílio Lofredo, "Todo o mundo estava
enlouquecido de entusiasmo com Ditão; seus três fulminantes nocautes
levaram todos a acreditar que nenhum homem do mundo poderia resistir à
sua pancada devastadora". Não menor era o entusiasmo dos empresários da
época, os quais viram uma chance milionária quando passou pelo Brasil o
campeão europeu dos pesados, Hermínio Spalla, que tinha ido até à
Argentina enfrentar o legendário Angel Firpo.
Rapidamente,
foi organizada uma luta entre Ditão e Spalla que rendeu 120 contos de
réis, uma fortuna para a época. O início da luta foi quase de encomenda
para a platéia: já de saída, Spalla foi derrubado pela potentíssima
direita de Ditão. O público foi ao delírio, mas não era por nada que
Spalla tinha mais de sessenta lutas com adversários de nível
internacional. O italiano levantou-se e a partir do terceiro round
iniciou a demolir Ditão. Esse, qual leão ferido, tentou resistir mas
acabou caindo no nono round. Teve um derrame cerebral, mas sobreviveu
para terminar seus dias como inválido.
Imediatamente
após a derrota de Ditão, os jornais iniciaram uma campanha contra o
boxe, o que levou o governador de São Paulo a proibir sua prática. Mas
não ficou só nisso o impacto da tragédia de Ditão: por quase dez anos,
os empresários brasileiros ficaram receosos de trazer boxeadores
estrangeiros.
O período de ouro entre 1926 e 1932
Após
revogada a proibição, em abril de 1925, o boxe brasileiro voltou a
crescer a partir das sementes lançadas pelos primeiro treinadores
competentes.
No
período que se seguiu, entre os vários lutadores de destaque, o maior
ídolo foi o peso leve Italo Hugo, o Menino de Ouro. Entre seus maiores
feitos está o nocaute, em primeiro round, sobre o campeão sul-americano
dos leves, Juan Carlos Gazala, em 1931.
Em 1932, tivemos novo impasse: a Revolução de 32 paralisou tudo.
Década dos 30's
O
acontecimento marcante desse período foi a criação das federações de
boxe - carioca, paulista, etc - com as quais se deu condições de os
boxeadores profissionais brasileiros disputarem oficialmente títulos
internacionais e os amadores poderem participar de torneios e
campeonatos internacionais.
Como
consequência, já em 1933, fomos pela primeira vez a um campeonato
internacional: o Sul-Americano de Boxe Amador, que se realizou na
Argentina. A seleção brasileira era composta apenas de cariocas, pois
que somente Rio de Janeiro tinha boxe legalizado através de federação.
Tínhamos,
contudo, um grande caminho a percorrer. Nessa época, o boxe de nossos
vizinhos argentinos, uruguaios e chilenos era tão superior que
considerávamos uma façanha perder "apenas" por pontos para um deles...
Época do Ginásio do Pacaembu
Esse
ginásio foi criado em 1940 e nele, pela primeira vez, podia-se ver
lutas de brasileiros com nível verdadeiramente internacional. Os mais
destacados deles foram: Atílio Lofredo e Antônio Zumbano ( o "Zumbanão"
).
Zumbanão
foi o primeiro grande astro do boxe brasileiro, imperando absoluto por
um longo período: de 1936 a 1950, durante o qual realizou cerca de 140
lutas, mais da metade das quais ganhou por nocaute. Era um peso médio de
grande poder de punch e não menor capacidade de esquiva. Verdadeiro
ídolo, arrastava multidões ao Pacaembu.
O início do boxe moderno: anos 50's
Esta
foi uma nova época de ouro para o boxe brasileiro: grandes espetáculos,
nacionais e internacionais, e uma imensa galeria de astros. Um dos
elementos decisivos para isso foi a ação do primeiro mega-empresário do
boxe brasileiro, Jacó Nahun.
Além
de ter lançado alguns dos grandes nomes do boxe brasileiro - como Kaled
Curi, Ralf Zumbano e Éder Jofre -, Jacó Nahun conseguiu um intercâmbio
com os dirigentes do Luna Park, o maior ginásio de boxe da América do
Sul, com o que centenas de boxeadores argentinos vieram lutar no
Pacaembu e, posteriormente, no Ginásio do Ibirapuera. Isso foi uma
excelente escola que contribuiu decisivamente para o amadurecimento do
boxe brasileiro.
Na
época, tivemos tantos bons boxeadores que fica até difícil destarcamos
alguns deles sem correr risco de fazer injustiça. Por razões de espaço,
apontaremos apenas quatro deles os quais se não forem unanimidade
certamente estarão em qualquer lista de "os mais importantes da época":
Kaled Curi, o "Beduíno"
peso
galo dotado de fortíssima esquerda; frequentemente lutava com
adversários de várias categorias acima, sendo que travou muitas lutas
verdadeiramente antológicas; como amador, chegou a campeão
latino-americano e como profissional foi campeão brasileiro; podia ter
ido além se não se envolvesse tanto com questões administrativas das
federações e com a promoção de lutas; após parar de lutar, dedicou-se a
empresariar boxeadores e promover eventos de boxe profissional.
Ralph Zumbano, o "Bailarino"
peso
leve de pouca "pegada" mas estilo, esquiva, técnica e jogo de pernas
elogiadas até internacionalmente; teve carreira curta como lutador,
passando a treinador de sucesso.
Luis Inácio, o "Luisão"
Talvez,
o maior meio-pesado brasileiro de todos os tempos; extremamente popular
por seu carisma, suas entrevistas folclóricas, sua velocidade e poder
de punch; foi o primeiro brasileiro a conquistar medalha de ouro nos
Jogos Panamericanos ( México 1955 ); como profissional, chegou a campeão
sul-americano dos meio-pesados, tendo feito inúmeras lutas
internacionais, inclusive com o legendário Archie Moore; sua
popularidade acabou sendo sua tragédia: ao subestimar o famoso campeão
chileno Humberto Loayza, numa troca de golpes, acabou sofrendo um
violento nocaute; como era bilheteria certa, os empresários nem lhe
deixaram descansar, continuaram a lhe promover lutas, as quais só
agravaram a lesão que havia sofrido; o resultado foi o esperado: Luisão
acabou "sonado" ( ficou extremamente sensível a qualquer golpe na cabeça
e a exibir sintomas da chamada "demência pugilística" ) passando a ser
derrotado por qualquer um, inclusive em brigas de rua com marginais;
acabou morrendo como indigente e se tornando mais uma triste lição para o
boxe profissional brasileiro.
Paulo de Jesus Cavalheiro
Peso
meio-médio, atuando profissionalmente entre 55 e 58. Extremamente
carismático, só perderia em popularidade para o Zumbanão. Já era tratado
como ídolo nos seus tempos de amador. Tinha grave problema cardíaco que
prejudicava muito sua atuação.
A década de Eder Jofre: os anos 60's
O
maior boxeador brasileiro de todos os tempos nasceu em uma família de
pugilistas: tanto por parte do pai ( família Jofre, oriunda da Argentina
) como por parte da mãe ( família dos Zumbanos ). Assim que Éder Jofre,
praticamente, nasceu dentro do ringue e desde cedo aprendeu as "manhas"
da nobre arte.
Desde
muito cedo exibia características que acabaram lhe colocando num lugar
de destaque na história do boxe mundial: tinha como principal arma um
fortísssimo gancho de esquerda ( vide foto ao lado ), e uma igualmente
arrasadora direita; não menos importante era sua grande inteligência que
lhe permitia modificar o estilo de luta segundo o adversário.
Estreiou
como amador aos 17 anos de idade, em 1953. Em seus quatro anos de
competição entre os amadores não conseguiu nenhum título de importância
internacional. Seu sucesso só viria explodir como profissional, carreira
que iniciou aos 21 anos, em 1956.
Já
em 1958 tornou-se campeão brasileiro dos pesos galo. Contudo, o sucesso
internacional não foi tão rápido. Para isso foi fundamental o trabalho
de seu empresário, Jacó Nahun. Esse, usou sua experiência para construir
uma "escadinha" que permitisse Éder fazer um renome internacional e
assim poder esperar por uma chance de disputar o título mundial. Essa
chance começou a ficar mais próxima em 1960, quando Jacó Nahun conseguiu
a inclusão de Éder entre os dez primeiros do ranking de galos da NBA ( a
associação que mais tarde deu origem a atual WBA=Associação Mundial de
Boxe ). Atingindo esse ponto, Éder trocou de empresário ( Nahun, magoado
com a "traição", abandonou o boxe ) e foi lutar nos USA, onde fêz três
lutas que melhoraram sua posição no ranking. Ainda nesse mesmo ano de
1960, finalmente, materializou-se a oportunidade de disputa pelo título
mundial quando o então campeão mundial dos galos, Joe Becerra, renunciou
ao seu título depois de ter causado a morte de seu último adversário.
Com isso, no final de 1960, acabou sendo marcada uma luta pelo título
vago entre Éder e o mexicano Eloy Sanchez. Éder Jofre precisou de apenas
seis rounds para se adonar do cinturão.
Contudo,
Éder ainda não havia chegado ao topo, pois a União Européia de Boxe não
reconhecia os campeões da americana NBA. Foi só em 1962 que surgiu a
oportunidade de uma luta pela unificação dos pesos galo, entre Jofre
campeão pela NBA e Johnny Caldwell campeão pela UEB. Essa luta foi
travada no ginásio do Ibirapuera, com um público record de 23 000
pessoas. Éder massacrou o irlandês Caldwell e se tornou o undisputed
champion dos pesos galo.
Jofre
defendeu com sucesso seu cinturão por sete vezes, até 1965, não fugindo
de nenhum adversário, por mais perigoso que esse fosse. Contudo, seu
maior inimigo crescia a olhos vistos: era seu excesso de peso, que lhe
fêz realizar várias lutas muito desidratado e até mal alimentado. Apesar
disso, pressionado de vários lados, Éder preferiu não subir para a
categoria dos pesos pena. A decisão foi errada: em 1965 foi vencido pelo
maior boxeador japonês de todos os tempos, Masahiko "Fighting" Harada.
No ano seguinte, o japonês concedeu revanche e venceu novamente. Com
isso, Jofre declarou sua aposentadoria. Tinha 10 anos de
profissionalismo e estava com 30 anos, o que é considerada uma idade
avançada para um boxeador da categoria dos galos.
Como
peso galo, Éder Jofre recebeu as maiores distinções: em eleição
promovida pela mais conceituada publicação de boxe do mundo, The Ring
Magazine, os leitores dessa revista elegeram Éder Jofre como um dos dez
melhores boxeadores do século XX; foi o primeiro boxeador não americano
indicado para o Hall of Fame do boxe; etc.
poca da penúria: 70's
O sucesso do peso galo Éder Jofre motivou o surgimento de muitos boxeadores brasileiros. Entre esses, os mais destacdos foram:
Servílio de Oliveira
peso
mosca de estilo brilhante, golpes e esquivas de precisão milimétrica;
por muitos, é considerado o melhor boxeador já surgido no Brasil;
estreiou em 1968 nos amadores e já no mesmo ano conseguiu o maior feito
do boxe amador brasileiro até então: medalha de bronze nas Olimpíadas;
em 1969 estreiou nos profissionais onde atuou até 1971, fazendo várias
lutas internacionais, a maioria com boxeadores sul-americanos; em 1971,
em luta com um mexicano, sofreu um deslocamento de retina que o deixou
praticamente cego do olho direito e o fêz abandonar sua muitísssimo
promissora carreira; em 1976, tentou voltar, chegando a fazer algums
lutas internacionais, mas na primeira disputa de título, sofreu
impedimento médico e abandonou de vez o esporte.
Miguel de Oliveira
iniciou
no profissionalismo na mesma época que Servílio e se destacou por ser
um peso médio-ligeiro de soco potente, especialmente quando desferia o
hook no fígado, e de ser dotado de grande inteligência; em 1973 já tinha
29 lutas e teve sua oportunidade na disputa pelo título mundial pelo
CMB; em 1975 teve nova chance, agora com sucesso, arrebantando o
cinturão mundial pelo CMB do espanhol José Duran; infelizmente, mal
orientado, perdeu o título já na primeira defesa.
O
terceiro boxeador importante dessa época foi, novamente, Éder Jofre,
que, premido por dificuldades financeiras, voltou a boxear em 1970,
agora nos pesos pena. Éder continuou a brilhar e em 1973 conquistou o
título mundial do CMB, infelizmente não tão importante quanto o que
tinha ganho como galo. Também não teve sorte com seu empresário que
acabou deixando-o em inatividade por tempo excessivo o que fêz com que o
CMB o destituísse do título. Apesar de não ser mais campeão, ele
continou a lutar, sempre invicto até 1976, quando encerrou
definitivamente sua carreira, aos 40 anos de idade. Ao longo de sua vida
de profissional, realizou 78 lutas, sendo que ganhou 50 por nocaute e
teve apenas duas derrotas, ambas por pontos e para o histórico Masahiko
"Fighting" Harada.
Assim
que, quase simultaneamente, tivemos a aposentadoria de três dos maiores
lutadores brasileiros de todos os tempos: Jofre, Servílio e Miguel de
Oliveira. Isso e a transmissão dos jogos de futebol pela TV funcionaram
como uma ducha fria no boxe brasileiro, que mergulhou num período
bastante negro, de ginásios vazios e poucas perspectivas.
O fenômeno Maguila e o ressurgimento do boxe
No
início dos anos oitenta, pela primeira vez no Brasil, uma rede de TV ( a
TV Bandeirantes ), por iniciativa de seu diretor de esportes ( Luciano
do Valle, o qual também atuava como promotor de eventos esportivos,
através de sua empresa, a Luque Propaganda, Promoções e Produções ),
resolveu investir pesado no boxe, transformando-o em espetáculo de
massa.
Os
primeiros boxeadores feitos pela TV brasileira, Francisco Thomás da
Cruz ( peso super-pena ) e Rui Barbosa Bonfim ( meio-peaso ), tiveram
relativo sucesso, mas foi só com Adislon "Maguila" Rodrigues que as
transmissões de lutas de boxe pela TV alcançaram absoluta liderança de
audiência.
Maguila,
com 1,86 metros e cerca de 100 Kg, foi um dos poucos pesos pesados
brasileiros. Tinha grandes elementos para ser um ídolo: enorme carisma
aliado grande valentia, mobilidade e uma direita demolidora que lhe
propiciou nada menos do que 78 nocautes em sua carreira de 87 lutas, a
maioria das quais com lutadores europeus, sul-americanos e
norte-americanos.
Maguila
estreiou como profissional em 1983, tendo Ralph Zumbano como técnico e
Kaled Curi como empresário. Em 1986, já no auge da fama, assinou
contrato com a Luque e passou a treinar com Miguel de Oliveira que
alterou profundamente seu estilo de luta e corrigiu seus defeitos de
defesa. Como consequência, em 1989, chegou a ser o segundo colocado no
ranking do CMB e em rota de colisão com Mike Tyson, na época, o
undisputed champion do mundo.
O
grande momento, contudo, nunca ocorreu. Precisou enfrentar dois dos
maiores pesados do século XX: Evander Holyfield e George Foreman. Perdeu
essas duas lutas e isso lhe tirou não só a chance de disputar o título
como o encaminhou para a obscuridade. Para piorar, Maguila aumentou
muito de peso, perdendo a forma física. Apesar disso, em 1995, chegou a
campeão mundial pela WBF ( Federação Mundial de Boxe ), uma associação
que ainda não havia conseguido grande respeitabilidade. Com falta de
patrocínio, pouco tempo depois, Maguila foi destituído do título por
inatividade.
Com o ocaso de Maguila, também veio o do boxe brasileiro que rapidamente perdeu o enorme espaço que havia tido na televisão.
No
final dos anos noventa, surgiu uma nova promessa: Acelino de Freitas, o
Popó. Patrocinado pela Rede Globo de televisão, Popó chegou ao título
de campeão mundial pelo WBO . Ainda é cedo para avaliarmos a posição que
lhe reservará a História.
Fonte: www.cbboxe.com.br
História do Boxe Amador
Como
o boxeador AMADOR não luta por bolsas de dinheiro, no amadorismo - ao
contrário do boxe profissional - não existe uma proliferação de
associações pretendendo o direito de proclamar o verdadeiro campeão e de
ditar as regras de luta.
Com
efeito, no atual boxe amador temos uma única associação regendo o
esporte a nível mundial: a AIBA. Em cada país temos exatamente uma
associação nacional que o representa junto à AIBA e que trata da
organização e localização dos respectivos campeonatos nacionais e
regionais; no caso do Brasil, essa associação é a Confederação
Brasileira de Boxe, que trata tanto do boxe amador como do profissional.
Como
o boxe amador é um esporte olímpico, a AIBA é filiada ao Comitê
Olímpico Internacional e cada associação nacional filiada à AIBA tem de
estar filiada ao respectivo Comitê Olímpico Nacional.
As
associações nacionais tem de respeitar à risca as regras e decisões da
AIBA no que toca aos campeonatos e torneios internacionais. No que toca
aos campeonatos e torneios nacionais e regionais, as regras locais não
podem ser menos protetoras do que as da AIBA.
O propósito desta página é dar mais detalhes acerca do funcionamento da organização do boxe amador.
As primeiras associações governando o boxe amador
Como
seria de se esperar, as primeiras associações organizando e
regulamentando competições de boxe de boxe amador tinham jurisdição
local a no máximo nacional. A mais antiga delas foi a Amateur Boxing
Association ( ABA ), fundada em 1880, em Londres. Logo depois, em 1888,
os norte-americanos fundaram a Amateur Sporting Union ( ASU ). No início
do século XX, o exemplo foi seguido pela maioria dos países.
No
Brasil, as primeiras associações tiveram nível municipal e estadual:
Comissão de Boxe do Rio de Janeiro ( 1925 ), Federação Carioca de Boxe (
1933 ), Federação Paulista de Pugilismo Amador ( 1936 ), Federação
Gaúcha de Pugilismo ( 1944 ), etc. A tentativa de uma organização a
nível nacional no Brasil iniciou com a Federação Brasileira de Pugilismo
( 1935 ), congregando apenas as federações cariocas, paulistas e
mineiras.
Muitas
dessas primeiras associações locais ou nacionais ainda existem e outras
foram modificadas, isso ocorrendo tanto no Brasil como no exterior. Por
exemplo, a Federação Paulista de Pugilismo Amador se transformou na
Federação Paulista de Pugilismo, a Federação Brasileira de Pugilismo, em
1941, passou a ser chamada de Confederação Brasileira de Pugilismo e se
transformou, já em 1998, na atual Confederação Brasileira de Boxe, que é
a organização coordenando todo o boxe amador e profissional no Brasil.
No exterior, um exemplo importante é o caso da ASU americana que, em
1978, deu origem à Amateur Boxing Federation ( USA-ABF ) que é quem
controla atualmente o boxe amador nos USA.
Controle internacional do boxe amador
A
primeira entidade controlando os campeonatos amadores internacionais
foi a Federação Internacional de Boxe Amador ( FIBA ), fundada em 1920.
Ela, em 1946, deu lugar à AIBA: Associação Internacional de Boxe Amador,
a qual continua sendo o organismo máximo do boxe amador. Atualmente a
AIBA está sediada em Berlin ( Alemanha ) e congrega quase duzentos
países.
Ao
longo desses anos, a AIBA tem introduzido várias medidas de proteção
aos atletas, como a obrigação do uso de camiseta para esconder os pontos
sensíveis do corpo ( 1980 ), o uso do protetor de boca ( 1982 ) e do
protetor de cabeça ( "capacete", em 1993 ), além de aperfeiçoar o
julgamento das lutas através da introdução das luvas com cor branca na
parte de impacto ( 1972 ) e o sistema computadorizado de marcação de
pontos ( 1992 ).
Sob
as regras, direção e orientação da AIBA são realizados os vários
campeonatos e torneios internacionais: o Campeonato Mundial de Boxe e a
parte de boxe das Olimpíadas, dos Jogos Mundiais Militares, dos Jogos da
Amizade, dos Jogos Pan-americanos, dos Jogos Europeus, etc. A AIBA
também designa os árbitros e examina os eventuais protestos e outras
questões referentes aos julgamentos das lutas nas competições
internacionais.
Nos
campeonatos nacionais e regionais também se segue as regras e
recomendações da AIBA. Eventualmente, as federações locais precisam
compatibilizar as resoluções da AIBA com a legislação de seus países; um
exemplo, aqui no Brasil, sendo a compatibilização das regras para
competicao em boxe infantil com o Estatuto da Criança e do Adolescente;
outro exemplo pode ser dado pelos USA que resolveram reforçar as normas
de segurança dos seus boxeadores
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